Alive | Capítulo 1

terça-feira, fevereiro 03, 2015 | | |
"Mas eu sou só humana. E eu sangro quando caio.
Eu sou só humana. E eu me despedaço e eu me quebro"

Human - Christina Perri



| HARRY |
- Parou de reclamar de ter que vir para esse lugar "sem sinal afastado da sociedade"? - minha mãe me imitou, mas mantinha a atenção na estrada.
- Depois de 8 anos a gente se acostuma - suspirei fundo. Ela sorriu e afagou com uma das mãos o meu cabelo.
 Meia hora depois eu já estava tirando as malas do carro. Fechei o porta malas e parei ao lado da minha mãe na lateral do veículo.
- Está lindo, meu amor - ajeitou minha gravata e gola da camisa. Ela deu um suspiro. - Seu pai ficará bem. Claramente irá querer vir no dia de pais e filhos e te ver nos fins de semana de saída - seu sorriso trazia um ar de esperança, na qual ela queria me confortar. Meu pai está doente e teve que ficar de repouso em casa.
- Sim, mãe. Vou amar - sorri. Ela me abraçou e depositou um beijo em minha bochecha antes de se afastar.
- Bom ano letivo e se comporte, mocinho - me olhou desconfiada.
- Claro - sorri largamente. Lhe dei um beijo no rosto e ela entrou no carro. - Mande um beijo para Gemma também. E diga que ela é muito chata - minha mãe riu e mandou um beijo no ar.
 Acompanhei o carro com o olhar e acenei quando passou pelo grande portão, pegando a estrada. Dei um longo suspiro. Seja bem vindo ao lar, pensei sem humor e emoção alguma, peguei minhas malas e segui para a construção de tijolos a minha frente.
- Olá, Harry. Como foram as férias? -  Arthur perguntou, enquanto ele descia e eu subia as escadas.
- Boas e as suas?
- A mesma coisa - bufou. Ri e continuei meu caminho.
- E aê, bro? - Louis se aproximou para fazermos um toque e parou com a mão no ar. - Ops - olhou para minhas mãos ocupadas. Coloquei uma das malas no chão e o cumprimentei. - E essa cara de enterro?
- Meu pai está com alguns problemas.
- Ai é treta mesmo - torceu os lábios.
- Treta - ri e peguei a mala. - Ainda está como monitor júnior? Esse vocabulário vai ter que mudar.
- Você é tão nerd. Mas é a velha rotina - deu de ombros. - Tem que voltar a falar "certinho" para chamar a atenção dos alunos.
- Pois é. E eu não sou nerd - ele riu. - Agora vou levar essas coisas para o quarto.
 Continuei pelo corredor, entrei em outro e parei para pegar as chaves do quarto número 1404. O que não foi preciso, já que a porta estava aberta.
- Ora, ora... Liam Payne há essas horas por aqui - Liam riu e se sentou na cama em que estava deitado.
- Dessa vez decidi vir mais cedo e não ser o último a chegar.
- Não sei para quê. Sempre pegamos as mesmas camas - ele me mostrou a língua. - O que me surpreende é Zayn ainda não ter chegado e você estar com o cabelo molhado e bagunçado - deixei as malas em cima da minha cama que sempre era a de frente para o guarda-roupa, a de Liam era próxima a porta, a de Zayn no canto do lado oposto do quarto, e ainda não havia ninguém para ocupar a que fica perto da janela.
- Acho que hoje é o dia mais quente da Inglaterra nesses anos, então mergulhei a cabeça, literalmente, na pia do banheiro - rimos.
- Nem me fale em calor - disse tirando o blazer e afrouxando a gravata. Ele fez o mesmo e voltou a deitar na cama.
 Algumas horas depois, quando estava terminando de guardar minhas roupas, um ser ofegante, despenteado e camisa desarrumada entra no quarto.
- Boa tarde - Zayn disse ainda recuperando o fôlego, atravessou o cômodo até sua cama.
- Ué. O que aconteceu? - perguntei. Liam havia dormido.
- O carro do meu pai quebrou, tivemos que correr atrás de outro, isso às 5 da manhã e só conseguimos o do meu tio às 7:00 am; depois, não sei como, mas estava um transito dos infernos na saída da cidade e duas vacas empacaram na entrada da estrada para vir para o colégio - soltei uma risada e ele me fuzilou com os olhos.
- Pelo jeito não foi uma boa manhã para você - disse olhando para o despertador que coloquei no criado mudo. Eram 12:59pm. - Mas para a sua sorte o almoço de boa vindas ainda não começou - eles suspirou aliviado.
 O sinal estridente e muito alto tocou, Liam se sobressaltou e quase caiu da cama, eu e Zayn rimos. 1pm, o relógio marcava. Eles são bem pontuais.
| SEUNOME |
- Hey! Eu trouxe a Seunome para brincar COMIGO! - Ellen saiu brava de sua casa e veio até nós no meio do jardim a passos pesados.
- Ela estava sozinha no seu quarto, Ellen, enquanto você tomava banho - Rick revirou os olhos.
- É, Ellen. Ele só me chamou para não ficar sozinha - larguei o jogo de cartas e fiquei ao seu lado.
- Ah. Tudo bem - relaxou a expressão e a postura. - Vem, agora vamos brincar de outra coisa - disse animada e me puxou para dentro de casa.
[...]
 Nós duas passamos o resto do dia brincando e fazendo coisas que crianças na faixa de 10 anos fazem. Ellen tinha descido para perguntar para a mãe se o lanche de final da tarde estava pronto. Fiquei esperando sentada na cama, ajeitava a trança no cabelo da boneca.
 Ouvi alguns gritos, de homem, mulher e de Ellen. Achei estranho, franzi as sobrancelhas, deixei a boneca na cama e parei na porta do quarto. Nos próximos instantes só houve silêncio. Mas um silêncio, que para mim, era pesado e constrangedor. Hesitei um pouco, mas sai pelo corredor.
- Ellen? - perguntei receosa.
 Terminei de descer os degraus da escada e me deparei com a pior cena da minha vida. O Sr. Kipps, pai de Ellen e Rick, estava sentado ao piano, seu corpo estava debruçado sobre as teclas, sangue escorria e pingava pelas mesmas. A Sra. Kipps estava amarrada na cadeira da mesa de jantar, seu rosto pálido na direção do marido no piano, a sua frente, do lado de uma de suas mãos em cima da mesa, havia uma taça de cristal com um líquido vermelho vibrante como o sangue, que também escorria de seu pescoço pelo seu tórax.
 Vi a cabeça loira de Ellen sentada no sofá cor creme de frente para a TV. As lágrimas já molhavam todo o meu rosto, me aproximei na esperança dela estar viva. Mas foi a pior ideia. Sufoquei o grito com as mãos na boca, não tinha mais controle sobre as lágrimas e soluços. Seu corpo estava com a barriga aberta, uma flecha de ferro a atravessava e pingava sangue da ponta. Uma de suas mãos segurava a boneca com qual tinha descido, a outra segurava a flecha. Seus olhos sem vida encaravam a TV. Olhei para a mesma. Senti uma presença atrás de mim. Logo uma mão segura forte em meu ombro e me vira.
- Olha só o que temos aqui... - um homem de barca mal feita, olhos tão escuros que se dava para ver a maldade passando por eles, e seu rosto coberto pelo capuz de seu moletom preto. - Não sabia que tínhamos visita - passou a língua pelos lábios, que continham um sorriso maligno e malicioso. - O que devo fazer com você? Minha cena está perfeita - olhou para os outros corpos. - Acho que não custa eu me divertir de uma outra maneira um pouco, antes de ver seu delicioso sangue escorrer - em minha mente uma risada maligna monstruosa ecoava em minha cabeça junto com aquela frase.
 Arregalei os olhos, ele me empurrou com força para baixo, me fazendo ficar de joelhos. Por favor, só sou uma garota de 10 anos, era tudo o que eu implorava em minha mente enquanto mais lágrimas desesperadas caíam. Ele abriu o zíper de sua calça, sua expressão era de uma diversão insana. Virei o rosto quando tirou seu membro, não quero suportar isso, ele segurou meu rosto e o virou para frente sem nenhum cuidado. Fechei os olhos com força, ouvi sua risada e de fundo surgiu o barulho de sirenes de policia.
- Mas já? Que droga! - ele me largou com tudo no chão, cai de barriga nos pés frios de Ellen e senti algo afiado perfurar minhas costas duas vezes, depois meu ombro. O senti mexer em mim e sussurrar um "vá dormir".
 Minha respiração ficava mais fraca. O cheiro de sangue reinava no local, e o meu sangue começava a se misturar a ele.
 Cocei minha cicatriz no ombro involuntariamente, mas fez as lembranças da noite passarem por minha mente. Fechei os olhos. Foi um ataque de um serial killer, ele também atacou a família vizinha, só não esperava que alguém descobrisse enquanto ainda fazia seu "trabalho" na casa dos Kipps. Com certeza aquilo foi uma das coisas que salvou a minha vida, pois ele saiu correndo. Porém antes de sair ele colocou uma arma, já usada, em mim, junto com uma faca usada também em Ellen e seus pais, como se eu tivesse cometido o crime e tentado suicídio. E sim, eles - os policiais - cogitaram eu ter matado todos e depois tentar me matar.
 Três dias depois, Rick, irmão de Ellen, foi encontrado vagando pelas ruas. Ele havia visto pela janela do quintal quando o serial killer pegou a irmã e viu os corpos dos pais e fugiu. Rick também contou que foi um homem e descreveu o que lembrava dele, então pararam de me interrogar e Rick se mudou para Washington D.C para morar com a avó.
 Depois de um tempo houve um outro ataque, conseguiram prender o serial, mas pensa que minha agonia acabou por ai? Não... Além do trauma psicológico e passar noites em claro por causa do "vá dormir", Sophie ouviu uma conversa da minha mãe com Mike, no mesmo dia nosso pastor alemão morreu, e ela espalhou pela escola que eu era a menina de "identidade secreta por segurança" do noticiário e começou a me chamar de assassina, dizendo que não aguentei acabar com a família e matei nosso cachorro também, e que eu tinha vários outros problemas. Éramos todos crianças inocentes, e eles acabaram acreditando. Perdi amigos, outros me olhavam com pena ou medo.
 Nos mudamos do interior do estado de Nova Iorque para Los Angeles, nos colocaram em escolas diferentes, mas Sophie continuava perturbando e digamos... Por conta do bullying sofrido, falta de apoio e compreensão por parte da minha mãe, meu comportamento mudou; sofro de bipolaridade e tenho fobia de sangue, mesmo tendo indo várias vezes a consultas com o psicólogo. Na nova escola consegui poucos amigos e não contei para ninguém sobre o que aconteceu comigo.
- Estamos quase chegando, falta alguns minutos - minha mãe virou no banco para me olhar.
 Dei um longo suspiro e encostei a cabeça na janela do carro. A paisagem era de campo. Quilômetros e quilômetros de um verde vivo. Chegamos ontem em Londres, preferi ficar no quarto enquanto os três - sim, Mike e Sophie vieram - passeavam pela cidade. Mas para a minha sorte a naja não quis vir até o colégio.

CONTINUA...


Salut girls!
Primeiro capítulo... Espero que estejam gostando, os textos grandes sempre serão flash backs e estarão em itálico. Este cap está pequeno, mas maiores virão.
Até o próximo.
Bjão xx

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