Alive | Capítulo 2

sexta-feira, fevereiro 06, 2015 | | |
"Essa aqui é para as garotas do gueto. Para as garotas legais.
Verdadeiras obras-primas. Estilosas. Vivendo a vida na cidade"

Uptown Funk - Mark Ronson feat. Bruno Mars


 Eu estava cochilando, quase já ficando sem consciência quando batem em minha perna. Pisco algumas vezes.
- Vamos. Nós chegamos - minha mãe diz e sai do carro. Balancei a cabeça na tentativa de afastar o sono. Peguei minha bolsa, coloquei os óculos escuros e sai também.
 Fechei a porta do carro, me virei colocando a mão na boca tapando um bocejo e abaixei a mesma ao me deparar com a escola. Parecia com palácio, enorme, bem maior que a minha antiga escola. Ou melhor, nem se compara.
 Olhei ao redor, no centro do pátio havia uma fonte com a estátua de uma mulher, com um pano cobrindo só da cintura para baixo e segurava um vaso por onde caía água, e um canteiro em volta da fonte. O chão era de ladrilho, virei para trás, o portão por onde acabamos de passar era grande e preto com detalhes dourados e continha o brasão da escola. Dei um sobressalto quando Mike bateu a porta do porta-malas. Ele colocou as 2 malas grandes e 1 pequena de não do meu lado.
- Que gentil - recebi um olhar de repreensão da minha mãe. - Não, é sério. Obrigada, Mike - soltei o ar pesadamente.
- Olá, sejam bem vindos - nos viramos na direção da voz, uma mulher de pele morena, cabelos escuros, vestida com saia e blazer sociais, para na nossa frente. - Sou a diretora, senhora Carter - apertou a mão da minha mãe e Mike, depois a minha. - É uma bela jovem, senhorita Cortez.
- Payne. Seunome Payne, por favor - a corrigi.
- É. Ela só usa o nome do pai, esqueci de colocar isso no e-mail - completou minha mãe, Mike deu um suspiro. De jeito nenhum eu iria querer o "Cortez" dele no meu nome.
- Bom, me desculpe. De qualquer forma lhes desejo boas vindas e estamos felizes em recebe-la, Srta Payne. Queremos também que esteja ciente que temos algumas regras a seguir aqui, começando pela vestimenta - olhou para meu jeans rasgado. Olhei para mim mesma, eu amo o estilo com que estou vestida.
- Eu gostaria de conversar um pouco com a senhora antes de irmos embora, se não se importa.
- Sim, Sra Cortez - assentiu para minha mãe. - Senhorita, entre por ali, por favor, com certeza terá alguém no hall que lhe receberá e lhe indicará seu quarto - se referiu a mim. A encarei, seu inglês com sotaque britânico era certinho, impecável, se posso dizer assim sem ser exagero.
- Tchau - dei um beijo rápido na minha mãe e me afastei. Contornei a fonte, estava concentrada para não derrubar nenhuma das malas, entrei por uma porta dupla de madeira escura. O hall era bem amplo, dos dois lados tinham corredores que sumiam ao longe em alguma curva, em frente à porta tinha um enorme quadro da fachada da escola, soltei um riso nasal.
- Olá, posso ajudar? - uma mulher de aparência ranzinza e vestida socialmente se aproximou.
- Sou aluna nova, queria saber o número do meu quarto.
- É claro - me olhou de cima a baixo. Qual o problema das pessoas daqui com jeans? - Vou te indicar onde é - foi até um balcão à baixo do quadro, mexeu em algumas coisas e me trouxe um papel. - Seunome Cortez - revirei os olhos, eles só podem estar me zoando -, quarto 269.
- Está brincando, né? - ela me olhou com uma sobrancelha arqueada e entregou o papel. É, talvez eles não levem "números pervertidos" tão a sério por aqui.
- Me acompanhe - estendeu o braço, indicando a minha direita e mantinha a pose séria.
 Um barulho estridente soa pelo local, mas não se viu ninguém, olhei de canto para a mulher ao meu lado, ela continuava andando com a atenção à sua frente, então também não fiz questão de perguntar sobre para quê era esse sinal.
 Subimos uma escada, o corrimão de madeira muito bem limpo e liso. Sofri um pouco para chegar ao topo com o peso. Bem que ela poderia pelo menos tentar fingir ser uma pessoa legal e me ajudar com alguma das malas, não é? Bufei tirando uma mecha de cabelo do meu rosto e continuei a segui-la. Nesse corredor havia várias portas, obviamente era a área dos quartos. Logo, várias meninas começavam a sair de seus dormitórios, elas olhavam diretamente para mim, como se eu fosse algum ser muito estranho e algumas cochichavam entre si.
 Ergui um pouco o queixo, muita atenção para pouco psicológico. Viramos em mais dois corredores, finalmente ela parou na frente do 269, abriu a porta e entrou sem nenhuma cerimonia.
- Muito bem alunas, temos uma novata e será a nova companheira de quarto de vocês - entrei e me deparei com mais três olhares em cima de mim, curiosos. - Expliquem como as coisas funcionam por aqui e ANDEM LOGO - gritou as fazendo sobressaltar e voltarem a arrumar suas coisas -, e não se atrasam para a aula, o sinal já tocou. E depois volto com uma roupa para você - me indicou com a cabeça
- Mas eu já não estou vestida? - abri os braços, mas ela já havia saído fechando a porta atrás de si, e eu os deixei pender ao lado do corpo. Me virei para as meninas, elas me olhavam com a cabeça um pouco inclinada para o lado. - Suponho que aquela cama seja minha. Certo? - apontei para a única cama vazia no quarto, e que ficava perto da janela.
- Correto - respondeu a loira, na primeira cama. Franzi as sobrancelhas para ela e caminhei até a minha. Larguei minha bolsa em cima dela, o colchoado era da cor creme, meio sem graça. Tirei os óculos escuros, enrolei e prendi meu cabelo com uma piranha, sentia seus olhos ainda em cima de mim, então me virei novamente para elas. - Hãn... Bom, meu nome é Cris Irvine, aquela é Driana Sullen - apontou para a menina de cabelo castanho e olhos verdes. - E aquela é Bárbara Trainor - indicou a menina de pele morena e cabelos e olhos castanhos escuros. Cris era loira dos olhos castanhos.
- O básico que você precisa saber agora é que com certeza não irão deixar você se vestir assim. Olha, até que gostei do seu estilo - disse Driana colocando as mãos na cintura. Cris revirou os olhos. - Okay... - ela bufou. - Continuando. O almoço é às 1:00 pm, jantar às 8:00 pm, as aulas vão das 8:00 am às 3:50 pm, mas tem dias que entramos às 9:30 am, dependendo do seu horário, claro; sempre terá um sinal de quê as aulas irão começar e o toque de recolher e... Deixa eu ver... - fez uma cara pensativa. - Ah! Meninas são proibidas no dormitório dos meninos, e vice e versa e...
- Espera... - a interrompi. - Vocês passam o ano inteiro aqui, só saem às vezes, a grande maioria estudam aqui desde pequenos, então quer dizer que grande parte das meninas e meninos daqui são virgens? - perguntei surpresa, isso não é comum em Los Angeles. Elas arregalaram os olhos, Bárbara e Cris abriram ligeiramente a boca.
- Nós... Nós vamos nos atrasar para a aula! Andem logo! - disse Cris, começou a recolher algumas coisas e colocar em sua mochila, depois veio até a minha cama e pegou alguns livros que estavam em cima. Deu um sorriso meio sem graça e se virou os guardando também.
 Neguei com a cabeça e sai do quarto, por onde mesmo que eu vim? Segui algumas meninas que se apressavam com suas bolsas penduradas pelo ombro. Desci as escadas as pressas, corri pelo hall e pelo pátio da frente com a fonte. Segurei as grades do portão agora, fechado.
- Mãe! Me tira daqui! Quero a vida agitada de Los Angeles! Vou tentar ser mais educada! Socorro! - o chacoalhava.
- Garota, você é louca? - ah não, por favor... Largo as barras de ferro, dou um longo suspiro com os olhos fechados. Me viro para trás e arregalo os olhos.
- Ai meu Deus! LIAM! - arregalei meus olhos para meu irmão, dei um passo a frente para correr até ele, mas parei para o analisar. - O que fizeram o você? - o olhava de cima a baixo. Ele estava todo social, com gravata e camisa para dentro da calça. Okay, já percebi que esse era o uniforme da escola. Seu cabelo estava liso para frente, parecendo que uma vaca tinha lambido. Ele olhou para cima e o bagunçou. Olhou para mim e abriu os braços, não pude evitar de sorrir e correr até os mesmos.
 O apertei e ele retribuiu. Nossos pais se separaram quando eu tinha 5 e ele 6 anos. Desde os 7 eu nos os vejo, foi quando eles se mudaram para a Inglaterra e minha mãe conheceu Mike. A partir dai ela não deixou eu ter mais tanto contato com eles, ainda mais depois daquele acontecido. E ela pensa que eu não sei que ela liga para o Liam escondido de mim.
 Me afastei para o olhar melhor. Ele sempre foi poucos centímetros mais alto que eu, diferença de 6 ou 7 preciosos centímetros. Pela sua face juvenil e masculina começava a crescer alguns pelos de barba. Eu segurava em seus braços, e dava para sentir seus músculos não exagerados. Seus olhos quase se fechavam mostrando as pequenas rugas entorno, junto com seu sorriso grande e branco.
- É tão bom te ver, caçula! Está diferente do que eu lembro. E está deixando os traços de menina e ganhando os de mulher -  segurou no meu queixo, o virou para os lados, me estudando.
- Para com isso. Eu esperava essa reação do nosso pai - tirei sua mão e mais uma vez as rugas de seus olhos apareceram, com ele rindo. - Você também não está igual, não está mais gordinho. E me lembro que eu não gostava desse apelido - me referi ao "caçula".
 Quando era pequena havia saído uma versão pequena de alguns refrigerantes que se chamavam "caçulinhas", meu pai gostou da ideia e, como eu sou a mais nova, começou a me chamar desse jeito. E como um bom irmão, Liam passava suas horas vagas correndo de lá para cá cantarolando "caçulinha, caçulinha" e puxava meu cabelo. Por isso parei de gostar do apelido, pois sabia que quando ele começasse a cantar, ele iria aprontar comigo. É, esse menino era uma peste quando criança.
- Que bom, por isso mesmo que vou continuar a te chamar assim - bati em seu braço, ele riu. - Vamos nos sentar lá no gramado?
- Você não tem aula? - o indaguei enquanto começamos a caminhar.
- Acabei de perder a primeira aula porque estava falando com a mãe e ai vim atrás de você - ele ia me puxando pelo pulso.
- Vocês conversaram?
- Ela só quis me dar um abraço depois de tanto tempo - me olhou. Deu um meio sorriso, olhando para baixo. - Está tudo bem? - assenti rápido com a cabeça, fitando seus olhos agora. - Não podemos ser pegos pelos inspetores nos corredores durantes as aulas, a não ser que tenha uma permissão do professor. Na primeira você leva um aviso, na segunda uma advertência, 3 advertências resulta numa suspensão, ou seja, você tem que passar esse tempo no seu quarto, saindo só para comer - deu um suspiro. Assenti novamente, ouvindo suas explicações. - Isso vale também para depois do toque de recolher - nós demos a volta em um dos prédios, parando na frente de um grande espaço gramado. - É aqui que nós, meninos, costumamos jogar futebol - se sentou na grama, olhou para mim e me sentei ao seu lado.
 Encarei o espaço e depois as construções de tijolos antigos atrás de nós. Talvez aqui não seja um lugar tão ruim assim, Liam ia contando mais algumas coisas sobre a escola e sua vida aqui em Londres e me fazia perguntas também sobre a minha. E pela primeira vez nesses anos, eu realmente me senti bem.

CONTINUA...


Hello my girls!
Como estão? Obrigada pelos comentários no primeiro capítulo, me deixou mais animada com a fic <3 No próximo a Seunome vai conhecer o Harry, eu tô rindo com a situação que vai ser, mas vamos deixar para lá por enquanto.
Até o próximo.
Bjão xx

2 comentários:

  1. Quando vai postar o próximo? Tá muito legal sua fanfic cara parabens mesmo

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