Before | Capítulo 5

terça-feira, julho 14, 2015 | | |

Rose

 O ruído que meu pai fizera enquanto saia, fora calmo e lento. Ajustei-me no sofá pequeno e confortável da antiga sala de estar e encarei a televisão desligada. Eu odeio os sábados. A maioria dos jovens o amam, pois é o dia que eu denomino 'Diversão dos jovens normais.' Todos saem e se drogam e embebedam-se, as meninas usam roupas pequenas como um guardanapo e os meninos as engravidam. Mais no meu caso, não se existe algo mais entediante do que uma adolescente de 15 anos que relê seus livros centenas de vezes e ouve a coletânea antiga de seu pai do cantor Elvis Presley

 Beberiquei meu chocolate quente com marshmallow e desbloqueei a tela do meu telefone celular percebendo que no mesmo havia quatro mensagens de um número desconhecido. Nunca telefono ou troco mensagens com alguém, muito raramente com meu pai, então isso é seriamente estranho. Quem teria o meu número? E por que alguém me enviaria mensagens? Com cautela, cliquei no pequeno envelope de cor branca com o algarismo 4 em destaque e arregalei meus olhos.

 ''Você é tão linda, Rose!'' 10:30h

''Eu adoro quando você segura seu suéter para limpar seus óculos ;)'' 10:39h

''Dá uma breve visão de seu sutiã (na maioria das vezes branco.)'' 10:39h 

''Você costuma não responder às suas mensagens, Rose?'' 10:54h

 Deus. Meu Deus. Eu sentia cada pelo do meu corpo arrepiar-se com o calafrio que corria por mim. Meus olhos se encontravam arregalados e meus dedos trêmulos. Um estuprador. Um estuprador e stalker. Engoli em seco o nó que havia se formado em minha garganta e com os dedos ainda trêmulos, digitei uma mensagem rápida. 

''Quem é você?'' 12:00h 

No mesmo segundo obtive resposta.

''Um conhecido.'' 12:00h 

Suspirei e voltei a teclar com cautela e medo. 

''Seja lá quem for, por favor me deixe em paz. Tarado!'' 12:02h 

''Ei, eu não sou um tarado, talvez um pouco e me desculpe por isso... É impossível não reparar em suas curvas. Mesmo que você tente escondê-las debaixo dessas roupas enormes, é um tanto excitante. :)''  12:03h

 Bloqueei novamente a tela do aparelho e o deixei por cima do pequeno sofá. Estava assustada. Essa pessoa, seja lá quem for, sabe quem eu sou e possivelmente me persegue. Não. Não mesmo. Quem iria perseguir uma garota tão patética como eu?

 Depois de terminar minha bebida, resolvi tomar um banho. Me vesti com uma das minhas regatas brancas e uma calça de moletom lilás. Assisti às três primeiras temporadas de Mike e Molly e dormi em frente à televisão ligada.

 Meus olhos lentamente abriram-se, encontrando as luzes do sol que teimavam em entrar pela pequena janela de inox e suspirei me livrando do sono com um último bocejo.

 Narradora

 Rose subiu preguiçosamente as escadas e dirigiu-se ao seu banheiro. Retirou suas roupas e entrou debaixo da agua quente e relaxante. Seus dedos pequenos e ágeis percorriam seu corpo, lavando-o com a ajuda de um sabonete liquido de pêssego.

 Minutos depois, a menina já saia do banheiro enrolada a uma toalha. Quando chegou ao seu quarto a primeira coisa que fez foi certificasse de que todas suas janelas estavam fechadas e assim começou  vestir-se. Escolheu uma calça jeans escura e uma camisa de uma universidade de Washington, que havia comprado à alguns anos atrás, certificando-se de vestir seu agasalho cor creme. Penteou seus cabelos, brigando contra os caracóis que formavam-se nas pontas dos mesmos e obrigou-se a usar luvas para proteger-se daquele frio. Calçou seus sapatos e observou-se no espelho.

 Por estantes, se sentiu como Katie Holmes em First Daughter e imaginou-se como uma universitária de Seattle com dezoito anos, com um fusca branco e um namorado feito Marc Blucas. Riu de si mesma e esfregou as bochechas, em uma tentativa de brigar com as pequenas sardas que haviam ali. Colocou seus óculos e juntou todos seus livros em uma mochila e saiu de casa, seguindo para a biblioteca de Claire Hardware, a senhora bondosa que sempre a presenteava com livros de seu autor preferido, William Shakespeare.

  Subiu em sua bicicleta e seguiu ao seu destino, com uma generosa parada ao McDonald’s mais perto de sua casa. Havia um televisor ligado em alto volume no local e Rose encarou o mesmo com curiosidades. Os meteorologistas diziam que aquele seria o inverno mais rigoroso em seis anos e Rose sentiu um calafrio percorrer seu corpo, normalmente as estradas ficavam cobertas por neve e a neblina alvoroça atrapalhava a visão dos motoristas. Vagarosamente, lembrou-se de quando tinha cinco anos de idade e chorava com a ausência do pai nas noites frias de domingo.

 Pagou sua conta e saiu do estabelecimento. Voltou a subir em sua bicicleta, que agora pararia em somente um destino. As ruas estavam incrivelmente vazias e sem graça, Rose estranhou e pedalou ainda mais rápido. A menina estacionou sua bicicleta em frente a biblioteca, prendeu-a em uma arvore com a ajuda de correntes de ferro e subiu as largas escadas feitas de concreto. Rose atravessou a porta e sentiu poucos olhares em si, ao que o irritante sino junto a porta soou. O lugar era quente e familiar, rapidamente o cheiro de chá e carvalho adentrou suas narinas e Rose fez questão de respira-los fundo para dentro de si. 

 Havia no máximo quinze pessoas no local, todas seguravam seus livros e os encaravam atentamente. O cabelo grisalho de Claire logo lhe chamou a atenção. A senhora vestia roupas quentes e segurava uma xícara em sua mão, os cabelos curtos eram soltos e a pele bem tratada, apesar da idade. Rose caminhou em sua direção e lhe saudou com um sorriso ladino.  

- Minha menina, quanto tempo! Senti tanto sua falta, Rose! - a senhora confessou,  enquanto abraçava os ombros estreitos da menina. Rose lhe correspondeu e a mais velha afagou seus cabelos sedosos. Pareciam avó e neta.

- Eu também, senhora Hardware!

 Claire sorriu e largou a menina, segurando seus dedos com ternura. - Ainda quer aquela obra de Hamlet? Sobrou algumas no estoque e guardei para você.

- Muito obrigada, senhora Hardware. Eu adoraria! - Rose sorriu. Fazia tempos que Rose queria um exemplar de Hamlet.

 Você deve estar se perguntando 'Quem em sã consciência ainda tem um livro físico em mãos, em pleno ano de 2015?' Rose. Mesmo com toda modernidade, a menina nunca ousara baixar um livro de Shakespeare pela internet. Achava isso um desrespeito a literatura e ao seu amado autor de Otelo.

- Preciso orientar o novo funcionário, o pobrezinho mal sabe arrumar estantes. - Claire gargalhou baixo. - Quando vai larga a padaria de Juliet e vir para cá? Não sei como aguenta aquela megera louca!

- Claire, por favor... - Rose tapou sua boca com duas de suas mãos, impedindo que gargalhadas altas saíssem. - A senhorita Juliet é apenas... excêntrica!

- Você é um anjo, menina! - Claire comentou e Rose abaixou sua cabeça, encarando seus sapatos. - Bom, deixe eu ir! Sente-se e eu pedirei para que um dos meus funcionários lhe traga o livro! Boa leitura! - A senhora despejou um beijo nas bochechas de Rose e retirou-se, seguindo para os fundos.

 Rose seguiu para a mesa pequena onde uma menina de cabelos dourados servia café e chá de diversos tipos. Pediu um chá de boldo e presenteou a menina com uma gorjeta de 5 euros. Ela caminhou até umas das mesas redondas que ficavam ao fundo e sentou-se em uma que continha apenas duas cadeiras vazias. Descansou sua xícara na mesa e abriu sua mochila, retirando de lá seus livros e cadernos.

 Um toque quente e leve em seu ombro esquerdo, fez com que a menina pousasse sua mão sob seu peito, visivelmente assustada. Virou-se e se deparou com Liam, neto de Claire. O rapaz, um belo rapaz devo frisar. Tinha cabelos castanhos formados em um topete baixo, uma barba amarronzada que cobria seu queixo e boa parte de seu maxilar e orbes de cor castanha. Mantinha um sorriso bobo entre os lábios e suas grandes mãos seguravam um livro de capa dura.

- Liam! Quanto tempo! - Rose levantou-se e abraçou o rapaz. Ignorou o fato de se sentir tão pequena nos braços de Liam. Se sentia segura mesmo não conseguindo abraça-lo sem ser esmagada.

- Rose?

 Rose podia jurar que sentiu cada parte de seu corpo congelar, arregalou os olhos e empalideceu. Ela conhecia bem aquela voz. Não. Não. Mil vezes não. Soltou-se de Liam e virou na direção da voz. Era ele. Harry Stylinson. O que ele faz aqui?


Continua...

Hi!Tudo bem com vcs minhas vidinhas? Eu vinha tendo várias ideias pra esse capítulo e felizmente consiga passá-las para o papel (ou pra postagem), a Rose e eu temos uma grande obsessão por Shakespeare, então ao longo da fic vocês irão vê bastantes referencias aos livros dele.Thami está na chácara de uma tia e lá o sinal para internet não é um dos melhores. Até o próximo capítulo amorzinhos!


6 comentários:

  1. Nossa amei esse capitulo a cada dia eu me apaixono mais pela fic continua

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    1. que bom amorzinho, muito obrigada pelo carinho. continuaremos em breve...

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  2. Amei cara tá divo!!!!!!!! Continua logo antes que eu pire aqui... Liz e Thami escrevendo uma fic juntas!!! Vcs sao as melhores

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    1. Obrigada, bae. Agradecemos muito pelo carinho! Kisses xx

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  3. Heyy baby

    Primeiramente, quero te dizer o quanto a sua capa e sua sinopse me agradou, foi por elas que a satisfação para vir ver o conteúdo me atingiu com sucesso, e devo te dizer que não me arrependo, pois o conteúdo me agradou e muito. Sua escrita é muito boa e agradável. Tenho certeza que essa história em geral dará muito certo, um contexto incrível. Acho que acabei kkkkkkk. Continue logo, pois já me ganhou como leitora. Bjss, amore :-*.

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    1. Que belo vocabulário haha' Ficamos felizes, obrigada, e continuaremos em breve. E a Liz arrasa nas capas que faz <3 Kisses xx

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