Alive | Capítulo 3

segunda-feira, setembro 21, 2015 | | |
 "Só segure sua respiração e deixe-me secar sua lágrimas.
Tudo que você precisa fazer é acreditar."

Believe - Ask Alexandria. 




| Seunome |

 Depois de quase uma hora, ouvimos o sinal tocar ao fundo. Liam se levantou limpando as calças, o olhei confusa, então ele estendeu a mão, a segurei e ele me ajudou a levantar. Havíamos conversado bastante, era como se nunca tivéssemos se encontrado na vida, eu só não contei sobre o ataque do serial killer, não sou tão aberta para falar disso, mesmo que ele seja meu irmão.


 Íamos em direção a um dos prédios, entramos e seguíamos pelos corredores, eu só o seguia, recebíamos os olhares das pessoas por quem passávamos, estavam em troca de salas; até que paramos em um espaço cheio de mesas e um lugar para o self-service.

- Nos encontramos aqui no almoço, tudo bem? - Liam me fitava enquanto eu analisava o local. - E se der, vê se já começa a ir nas aulas hoje.

- Vou pensar no seu caso - disse ainda encarando o refeitório. Senti seu olhar penetrante em mim e me virei para encara-lo. - Tudo bem, Liam. Não precisa se preocupar, só estou cansada.

- Okay. Mas vá se der. Agora eu tenho que ir - deu um beijo em minha bochecha. 

 Um súbito desespero brotou em mim. Acabei de ter os melhores momentos da minha vida depois de anos! Ele não pode simplesmente se virar e ir embora! Agarrei em sua mão novamente, antes que se afastasse mais. Liam olhou para o ato e em seguida para mim, erguendo uma de suas sobrancelhas.

- Não vai embora, Liam! Por favor! Não me deixa sozinha - implorei. Eu não ligava para quem estivesse olhando ou deixando de olhar, só queria o meu irmão perto de mim.

- Você não está sozinha, Seunome. Eu... Só preciso ir para a aula. Nós vamos nos encontrar de novo - diz, tranquilo, mas dava para perceber o tom de estranheza e preocupação na voz. - Eu prometo.

- Não prometa. 

- Tá... - me olhou confuso. - Mas nós nos encontraremos no almoço mais tarde. 

 Liam ficou meio receoso em ir e depois de mais alguns segundos de relutância minha, o soltei. Ele olhava para trás enquanto andava e assim que sumiu da minha visão pelo corredor, comecei a chorar. Não havia mais ninguém ali, ninguém conversando com outro aluno, nem correndo apressado para a próxima aula. Só eu.

 Não queria ficar sozinha, não agora. Minha mãe vivia prometendo que tudo ia ficar bem, do último ano para cá a única coisa que ela estava fazendo por mim era me levar para o psicólogo ou psiquiatra. Parou de prometer ao perceber de que não estava adiantando nada. Então parei de acreditar em promessas também. Passei a mão no rosto molhado.

 Preciso dos remédios. 

 Tentei me localizar, decidindo para qual lado ir, mas eu ainda estava meio zonza e a visão embaçada pelas lágrimas. Fui caminhando por um dos corredores, esbarrei com uma mulher, que dizia ser uma monitora. Lhe expliquei que era nova e estava perdida. Ela analisou o meu rosto e minha roupas, apenas com os olhos, parecia estar tendo uma discussão consigo mesma por pensamento. Disse que ia me acompanhar até o quarto, eu não estava em meu total equilíbrio para protestar, então só a segui pela escola.

 Bati a porta assim que entrei no quarto e encarei a bela e elegante diretora sentada na minha cama. 

- Está tudo bem? - perguntou antes mesmo de eu formular "o que ela está fazendo aqui?" em minha mente.

- Está sim, senhora. Só quero deitar e me acostumar com o fuso horário da Inglaterra. 

- Pensei que começar as aulas hoje estivesse nos seus planos. Acho que seria bem melhor. Bom... Aqui estão seus uniformes, livros didáticos, horário das aulas. E já mudei seus registros de Cortez para Payne - me entregou alguns papéis. - Era só isso. Já conheceu a escola? Espero que tenha gostado - fez uma pausa. Depois suspirou. - Sua mãe conversou comigo, me contou sobre alguns problemas que você enfrenta - o quê? Arregalei os olhos. - Quero que esteja ciente e convidada para conversar com nosso psicólogo sempre que precisar. - Como eu não disse nada, ela se levantou. - Seja bem vinda novamente e até logo - acenou com a cabeça e saiu, fechando a porta delicadamente.

  Coloquei todas as coisas que ela trouxe em cima das malas. Abri a mala pequena de mão, peguei o pote de comprimidos. Não. Eu não precisava e nem queria mais ninguém se envolvendo ou tentando resolver meus problemas. Olhei ao redor, e a água? Eu conseguia engolir sem, mas eu já estava com cede também. Fui até o banheiro, liguei a torneira, deixando o jato escorrer por alguns segundos. Vai ter que ser essa água mesmo. Coloquei uma cápsula na boca e, com as mãos em formato de uma concha, levei a água até a boca. Encarei o espelho a minha frente. Tomei mais um remédio por precaução, voltei praticamente me arrastando para o quarto e desabei - literalmente - na cama.

⋱★⋰

- Droga! - alguém resmungou, baixinho. Em seguida o barulho de duas portas se batendo.

 Me remexi na cama, o jeans skinny começava a incomodar. Olhei para a janela, não havia mais nenhum sinal da luz do sol e um vento gelado começava a entrar. Eu dormi uma tarde inteira? Virei a cabeça contra o travesseiro, prendendo a respiração, depois a soltei quando olhei para o outro lado. Driana procurava por alguma coisa debaixo da sua cama, se levantou com uma caixinha rosa claro cheia de detalhes dourados. Sentou e abriu a mesma, pegando algo que não consegui ver o que era, já que a garota estava de costas para mim.

 Senti mais uma onda fria arrepiar o meu corpo. Me levantei para fechar a janela e parei para observar o campo antes de o fazer. Tudo estava num breu. Alguns postes de luz iluminavam apenas os arredores dos prédios; para além disso só havia as trevas. E um silêncio... Exceto, agora, por algumas risadas. Me debrucei sobre o parapeito e vi quem vinham de duas garotas sentadas em um banco, rente a parede. Balancei a cabeça e fechei a janela, com a trinca fazendo um "trick".

- Ah. Não vi que tinha acordado - me sentei no banco acolchoado a baixo da janela, e encarei a morena. Ela me olhava com um quê de curiosidade e entretenimento. - Então... Como é a vida na cidade dos anjos, Los Angeles? Suponho que se divertia muito por lá.

- Nem tanto - respondi, com um suspiro. - É agitada, com certeza, mas há seus dias de tranquilidade e paz - dei de ombros. Um sorriso surgiu em seu rosto e Driana caminhou em minha direção. Se sentou a minha frente. Percebi que tinha um pedaço de papel nas mãos, consegui ver a metade de um nome e de um número.

- Me diga. Por que ficou tão surpresa com a quantidade de virgens no colégio?

- Não sei como é por aqui. Quero dizer, na Inglaterra toda. Mas ultimamente muitas garotas estão engravidando e se gabam por transarem aos 12 anos - pensei na semana passada, no quarto da minha mãe e Justin na cama junto comigo. Realmente tinha sido uma noite maravilhosa, não que eu seja experiente, já que foi a noite em que perdi minha "inocência". Mas não preciso dizer isso para uma pessoa que mal conheço. - Enfim, não precisamos conversar sobre isso.

- Claro que não. Com certeza existem assuntos mais interessantes - deu uma piscadela. Estou começando a achar que essa garota é louca. - As outras meninas já desceram para o jantar, é melhor você ir se quiser comer. Logo iram tocar o toque de recolher.

 Driana voltou para a sua cama, pegou a caixinha e guardou de volta ao lugar. Foi até o guarda-roupa, puxou um casaco azul marinho. Ela era bem bonita, tinha que admitir. Os cabelos castanhos ondulados caiam sobre os ombros e metade das costas. Curvas nos lugares certos - foi aí que notei que ela não usava o uniforme -, e mesmo que pareça ser proibido na escola, estava um pouco maquiada, e seus movimentos agraciados pareciam ser feitos inconscientemente. Típica garota que os meninos querem namorar e as outras meninas copiar.

- Você não vai mesmo sair do quarto? - se voltou para mim novamente.

- Você conhece Liam Payne? Sabe qual é o número do quarto dele?

 A curiosidade e o entretenimento voltaram a sua face, até mesmo uma ponta de surpresa. Ela pareceu pensar sobre o que dizer, exatamente.

- Avisei que não podemos ir para os quartos do sexo oposto.

- E você não parece ligar muito para isso, já que tem o número do quarto e o nome de um garoto escritos nesse papel. - Touche. Ela olhou para as mãos, a surpresa se espalhando ainda mais em seu rosto, assim como o constrangimento. Trocou o peso do corpo para o outro pé, desconfortável, e abriu a boca, mas a interrompi: - Ele é meu irmão. Combinamos de nos encontrarmos no almoço, mas desmaiei pela tarde inteira. Queria ir falar com ele, tentar ir no quarto caso já tiver saído do refeitório.

- Você é irmã de Liam? - ela arregalou os olhos.

- Esqueci de me apresentar, que falta de educação da minha parte. Sou Seunome Payne. - sorri. Ela pareceu ainda estar em dúvida.

- Tudo bem - deu um suspiro. - Mas não conte para ninguém a onde estou indo e que contei para você como ir para o quarto dos garotos - me encarou, séria. Passei o polegar e o indicador sobre os lábios e fingi jogar a chave fora. Ela contou da sua estratégia de fuga para o prédio onde ficava os dormitórios masculinos, era fácil até. - O problema é você não deixar ser pega por algum dos monitores. Fuja da Helena e da Lourdes, elas são as piores. E bom... Acho que você não vai se incomodar em esbarrar no Louis - mordeu o lábio inferior. - Ele pode ser um gato e tolerante com os alunos, já que é um também, mas ainda pode te levar para a diretoria para receber uma advertência.

- Okay, entendi. E o número do quarto?

- É 1400 e alguma coisa, não sei exatamente. Vi de relance uma vez na lista dos quartos - deu de ombros, indiferente. - Você arruma um jeito de achar. Ah! E cuidado com alguns alunos, eles são bem puxa saco e podem te dedurar.

- Acho que consigo lidar - sorri de canto.

- Então, agora eu posso ir. Até mais, pequeno jasmim - acenou com os dedos e saiu do quarto.

 Olhei ao redor. Iria tomar um banho primeiro. E não tinha arrumado minhas coisas ainda no guarda-roupa. Abri a mala maior e escolhi uma roupa de frio, peguei minha toalha e coisas para o banho e segui para o banheiro. Este do quarto era pequeno com apenas um vaso, um box com o chuveiro e a pia. Liam havia me dito que em cada andar de dormitórios existe um banheiro um pouco maior com 5 banheiras em cada. Dois desses banheiros ficavam no lado das meninas e os outros dois no lado dos meninos. Me despi por completo e entrei no box.

 Depois do banho, coloquei um suéter bege com um degrade dourado, meias nos pés e calcei o chinelo mesmo. Sai do quarto caminhando pelo corredor com cuidado. Algumas alunas que vinha na outra direção me encaravam, mas eu procurava ignorar. Cheguei até o refeitório, ainda estava cheio com os alunos, na mesa principal estavam alguns professores, e a diretora não estava lá. Mordi o lábio inferior. Minha curiosidade em ir para a ala dos meninos estava maior do que a vontade de entrar nesse salão e sair procurando Liam por todos aqueles rostos. 

 Dei meia volta, indo até o Hall. O corredor para o dormitório dos garotos era para o outro lado, mas, segundo Driana, era melhor ir pelo lado de fora, corria menos risco de alguém te ver. Sai do prédio sorrateiramente, me encostei contra a parede, pensando. Era só virar na esquina do lado direito e ver se tenho sorte de alguma janela estar aberta no outro prédio, a parte complicada do caminho era não deixar ser vista subindo a escada de incêndio. Segui pelas sombras, uma vez tive que me esconder atrás de um arbusto para ver um cara, de estatura média e roupa formal, passar. Pelo jeito um monitor. Continuei e parei no segundo prédio, encarando as janelas. Algumas estavam com a luz acesa. Como vou saber qual quarto é o do Liam?

 Olhei para todos os lados. Um garoto vinha assobiando, despreocupado, usava um headphone, parecia bem alheio mesmo ao que acontecia ao seu redor. Me espreitei, ainda colada a parede. Tentei chamar sua atenção, ele não ouviu ou me viu. Bufei e o toquei no ombro. Ele soltou um alto "AHHHH"; tapei minha boca para não gritar também ou rir.

- O que está acontecendo ai?

 Ai caramba! Corri para um banco próximo e me escondi debaixo dele. Torci para não ter nenhum bicho ali, principalmente uma aranha, por mais que seja pequena.

- Eu... É... - o garoto gaguejou. Um monitor de cabeça raspada o analisou, depois olhou para os lados, procurando outra pessoa, provavelmente. - Tomei um susto com o Cheshire, aquele gato maldito! Desculpe... - acrescentou rapidamente, envergonhado, ao receber um olhar de repreensão do homem. - Ele deve ter fugido de volta para a sala da diretora.

- E o que o senhor está fazendo aqui fora?

- Você me conhece, Ricardo, gosto do escuro. Quer ouvir um pouco? - lhe ofereceu o headphone. - Estou ouvindo Asking Alexandria. Não sei se você gosta de metalcore, mas...

- Chega! - o monitor interrompeu o tagarela. - Estou de olho. - Rondou mais um pouco por aqui, observando o garoto, que agora ouvia a música e estalava os dedos em um ritmo, fingindo não o notar mais. Depois seguiu para o outro lado.

 Soltei o ar, aliviada. Me arrastei para fora do banco, me levantei limpando minha calça e suéter das pedrinhas e poeira do chão. O menino tirou os fones do ouvido e caminhou na minha direção.

- Vou te entregar para a diretora por essa brincadeira de mau gosto! 

- Desculpas, não foi minha intenção. Só quero uma ajuda. E se quisesse me entregar mesmo, teria contado para aquele monitor - provoquei.

- Quem é você? - perguntou, desconfiado.

- Seunome Payne. E você...?

- Niall Horan. Você sabe que é proibido meninas nos quartos dos meninos, certo? -  Revirei os olhos. Abri a boca para responder. Mas ele falou antes: - Tudo bem. Eu também não ligo muito para as regras - disse. Passou por mim, o segui até dobrarmos a esquina do prédio. Paramos embaixo de uma escada de incêndio, ele pulou, a garrando, deu outro impulso e subiu até a primeira base. Estendeu a mão para mim, pulei e ele me ajudou a me erguer e equilibrar. - Qual o seu interesse amoroso?

- O quê? - engasguei com o ar. Niall deu uma risada. Agora com a luz que passava através da cortina da janela a nossa frente dava para ver direito sua pele branca, cabelo loiro que terminava em um topete, olhos tão azuis quanto o céu de dia e o headphone agora estava depositado sobre seus ombros, em volta do pescoço.

- Naturalmente quando meninas vem para cá, ou vice e versa, é porque estão aprontando em algum encontro - sorriu malicioso. - Você é nova por aqui, não é? Nunca te vi.

- Cheguei hoje. E não tenho interesse amoroso por ninguém daqui. 

- Olha... Essa resposta me deixa um pouco feliz e ao mesmo tempo decepcionado. 

- A ajuda que eu quero - continuei, ignorando seu comentário -, é saber onde é o quarto do meu irmão. Liam Payne. Quero falar com ele.

- Tem certeza que é só irmão? - desconfiou. O encarei séria, como se fosse lhe dar um tapa. Ele sorriu e inclinou a cabeça um pouco para o lado. - Okay, estou vendo que você está prestes a me bater. É melhor irmos antes do toque de recolher, porque todos os alunos vão voltar - ele começou a subir pela escada de ferro. - Não sei muito bem quem é Liam Payne, ele não é da minha turma, acho que nem é do meu ano, mas meu colega de quarto deve saber.

 Paramos de frente a uma janela - acho que era no quarto andar - com um pequeno vaso de violeta no parapeito. O loiro murmurou "Calvin gosta de violetas, diz que o faz se sentir em casa", dei uma risadinha. Niall entrou e fez um sinal para mim o seguir. Ele me puxou até a parte do meio do guarda-roupa e fechou a porta. Bati em protesto. Será que só atraio gente estranha? Ele a abriu. 

- Shiiii! Calvin não pode saber que está aqui. Vou perguntar e já te tiro daí. 

- Se for algum plano e pretende me deixar aqui... - disse com um tom de ameaça. 

- Relaxa, Flor. Se eu fosse te sequestrar, não te colocaria no armário. Não pelo menos sem mim - deu uma piscadela e fechou a porta antes que eu pudesse dizer algo, indignada.

 Pressionei a orelha contra a porta, para pode ouvir. Niall gritou "Calvin, você sabe onde é o quarto de Liam. Payne?". Alguém respondeu, mas a voz saiu tão abafada que não entendi o quê. Devia estar no banheiro. O loiro resmungo algo como "Você que é gay, só me pediram para entregar algo para ele". Em seguida o barulho da porta sendo aberta e fechada e outra voz surgiu no ambiente. 

- Já aprontando de novo, Niall? - perguntaram, em tom risonho.

- Cala a boca, Alec - ele respondeu. -  E eu não coloquei fogo em nada, Calvin - disse irritado, quando a voz abafada deu uma bronca.

 Ouvi a porta do quarto sendo aberta novamente. Esperei, batendo o pé. Se ele não aparecer logo, vou sair desse lugar sem me importar com quem quer que esteja no cômodo. Ouvi a porta de novo e instantes depois a do guarda-roupa foi aberta.

- Não fale nada ainda - Niall me puxou. O outro garoto, Alec, abriu a boca, surpreso, depois negou com a cabeça e riu. - Continue quieto, e você não viu nada - apontou para ele, antes de me puxar de volta para a janela. -  Não se preocupe, Alec é de boa, ele não vai dedurar. Já o Calvin... Ele age como se fosse o pai de todos - bufou. Dei uma risadinha. - Calvin disse que é no quarto 1404. Olhei pelo corredor e fica há umas quatro portas daqui.

 Ele contou o mesmo número de janelas pela lateral do prédio. Descemos toda a escada, com cuidado para não chamar a atenção dos outros quartos. Pulamos no chão, fomos até a próxima escada, a subimos até o mesmo andar de antes. A janela a nossa frente estava apenas com uma fresta aberta, ele a abriu e espiou para dentro. Um sinal alto soou por todo o lugar.

 - Olha o toque de recolher. É melhor você entrar, pode me agradecer depois - disse rápido, ele me empurrou para dentro do quarto, quase caí de joelhos no piso de madeira. Virei para o xingar, mas o mesmo já tinha pulado para dentro e correu para fora, sumindo pela porta.

 Com um suspiro, olhei para o quarto, os móveis e as cores não eram diferentes do das meninas. Não tinha ninguém, mas a luz estava acesa e do banheiro vinha o barulho do chuveiro ligado. Me aproximei da cama, procurando algum vestígio que a indicasse que era a cama do meu irmão. Logo no criado mudo da primeira cama, perto da porta, tinha um porta retrato do Liam. O peguei para olhar mais de perto. Ele estava com uma menininha nas costas, ela ria e tinha o mesmo tom de cabelo e olhos dele. Me peguei perguntando se eu parecia tanto com ele quanto aquela garotinha.

 A porta do quarto foi aberta, dei um sobressalto com o susto e quase deixei o retrato cair.

- O que você está fazendo aqui? - Liam arregalou os olhos.

- Bom... Não te encontrei no almoço porque dormir a tarde inteira e preferi vir até aqui do que te procurar no refeitório - dei de ombros.

- Espera... Além de infringir uma regra, você não comeu o dia todo? 

- Não venha com sermão agora, Liam... - Revirei os olhos, coloquei o quadro no lugar e sentei na cama. - Quem é? - apontei para a foto.

- Nossa irmã - disse em tom sério, ele veio até mim. - O nome dela é Nath. Bom, na verdade, é Nathália. Ela tem 5 anos, é filha do nosso pai com a nossa madrasta. - Eu estava amando o foto de Liam dizer "nosso" ou "nossa", sempre me incluindo, mesmo que eu não conhecesse o lado da família do nosso pai. - Ele queria que vocês todas se conhecem, mas nossa mãe não estava ajudando muito para isso acontecer. - Ri sem humor.

- Queria que tivéssemos sido assim. Que tivéssemos crescido mais próximos - lamentei.

- Eu também - ele disse cabisbaixo. Então sorriu. - Posso ligar para o pai, com certeza ele vai querer te ver! Ele vai ficar tão feliz...

- Obrigada, Liam - sorri. Ele me abraçou. E eu o apertei forte.

- O que está acontecendo aqui?

 Nos separamos, eu nem havia percebido que o barulho do chuveiro tinha cessado. E ali estava o indivíduo na frente da porta do banheiro, uma tolha paralisada no movimento para secar o cabelo, o corpo ainda com gotículas de água e completamente PELADO.

CONTINUA...


Lumus

Hellouis girls!
Olha quem resolveu vir dar as caras com Alive. Espero que me perdoem. Tivemos a aparição do nosso loirinho  E bom... Sobre o final do capítulo acho que vocês já tem a certeza de que é haha'
Já irei começar a escrever o próximo capítulo de Before, então até breveeeee 
Bjão xx

Nox

2 comentários:

  1. thami, minha diva!
    essa fic vai entrar pra história, lacrante.
    esperando ansiosamente pela continuação e tbm por before (i love rose!) ♥

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    1. Obrigada, minha diva!
      (Rose lover aqui tbm! Haha').
      Kisses xx ❤

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