Imagine com Harry Styles - All Of The Stars (Parte I)

domingo, outubro 25, 2015 | | |







Ano de 2069, Stratford-upon-Avon

  O chão gelado e escuro da cozinha era pisado pela senhora de meia idade, que com certa lentidão encheu uma chaleira velha com agua e colocou-a para esquentar. Virou-se e sorriu ao encontrar Harry, seu marido há bons e longos anos, com seu costumeiro suéter cinza e calças caqui. Harry sorriu ladino, revelando suas rugas na região das maçãs do rosto, aproximando-se de Seunome e despejando um beijo casto em sua testa, a senhora com certo esforço alcançou o queixo do marido, depositando um selinho sobre sua barba mal feita.



  As mãos frias e pálidas a rodearam, trazendo-a para mais perto em um abraço carinhoso e apaixonado. Seunome adorava esses abraços. Não sibilavam sequer uma palavra ou algo do tipo, ficavam apenas ali, abraçados sentindo ambas respirações no mesmo ritmo calmo e o cheiro de colônia que Harry carregava consigo e o aroma de morangos que Seunome levava em seus cabelos, e que Styles sempre adorara sentir.

  — Eles chegaram. — Ele sussurrou referindo-se aos três netos. 

  — Ok, vá na frente, tenho alguns cookies de maçã para terminar. — Seunome proferiu soltando-se do marido, dando-o as costas e caminhando em direção ao fogão e desligando a chaleira que já fervia. 

  Harry concordou com a cabeça, mesmo que sua esposa não pudesse ver e dirigiu-se à sua sala de estar, encontrando seus três queridos netos: Daniel, Amy e Jamie. 

  Daniel, honesto em alguns pontos e egocêntrico em outros, com cachos avelã, orbes cinzentas, pele alva e pouco delgado. Com bons vinte e sete anos, atuava no ramo de advocacia e estava em um relacionamento não muito sério com uma italiana que conhecera em uma de suas viagens mundo à fora. Com apenas vinte e três anos, Amy era uma genuína conquistadora, que a cada semana tinha um ou até mesmo uma, em sua cama. Longos cabelos, lábios vermelhos e pele macia. Psicóloga e cantora nas horas vagas, Harry sabia que Amy havia herdado sua voz rouca e aveludada de si e se sentia orgulhoso a cada mínimo soprano que saía da boca da neta. 

  Já Jamie, era sem duvidas a copia fiel de Seunome. Olhinhos brilhantes, bochechas rosadas e personalidade corajosa. No auge de seus dezenove anos, a estudante de letras cursava seu último e glorioso ano e ansiava começar a lecionar. Jamie sempre adorou a história de seus avós, tanto que decidira transformá-la em literatura. Não que Jamie fosse uma Shakespeare ou uma Nicholas Sparks, apenas os admirava bastante para deixar sua história ser esquecida. Tarde como essas eram mágicas para Jamie, ficavam apenas os cinco ali, sentados no estofado cinza vendo fotografias, bebendo chá e saboreando os deliciosos cookies de maçã de Seunome.

  — Ela já está para vim, está terminando os cookies. — Harry proferiu, sentando-se em sua genuína poltrona preta e suspirando ao descansar os velhos músculos. — Bem, Dan, como vai sua namorada? E seu trabalho?

  — Espero que aquela vadia esteja bastante doente! — Esbravejou. Consegui resolver um caso considerado dificílimo e recebi uma proposta de Nova Iorque, vou para lá na próxima semana. — Daniel exibiu os dentes brancos, fazendo com que covinhas cheias formassem em suas bochechas. 

  Styles sorriu orgulhoso do neto e continuou. — Isso é ótimo, Daniel! Amy, como vai a psicologia? 

   — Melhor do que nunca, vovô. — Disse empurrando os fios castanhos para trás de ambas orelhas. — E para constar, a namoradinha italiana de Dan não resistira aos meus encantos. — Enviou uma piscadela sapeca para o irmão que apenas revidou com um belo dedo do meio, arrancando risadas de Amy. 

  Harry encarou os netos, tentando distingui quais dos três ainda expressava decência e optou por escolher Jamie que encara tudo em silencio. — Bom... — Limpou a garganta, chamando a atenção dos netos. — Jamie, como vai seu estudo? Ainda com os planos de lecionar em lares de moradores de rua? 

   — Sim, vovô, meus estudos estão ótimos e em breve já estarei me formando. — Jamie sorriu para o mais velho que a encarava com fascinação. Ela parecia Seunome uns anos mais nova, não apenas pela aparência, até o modo gracioso de falar. — O senhor sabia que segundo as estatísticas, mais de 50% dos adultos são analfabetos em Benin, Burkina Faso, Chade, Etiópia, Gâmbia, Guiné, Haiti, Mali, Níger, Senegal e Serra Leoa? Mais de metade da população analfabeta são mulheres e meninas e... 

  — Santa Padroeira, nós não estamos mais na escola para receber aulas sobre analfabetismo na África. — Amy interrompeu junto a uma revirada de olhos. 

  — Amy, não trate sua irmã assim. — Argumentou Seunome, entrando no cômodo com uma bela bandeja de cookies e chá. — Desculpem a demora. — Pediu carinhosamente, deixando a bandeja pesada sobre a mesinha de centro e sentando-se em uma poltrona ao lado de seu marido, que rapidamente buscou pela mão quente e macia da esposa, acariciando e beijando a mesma. Daniel e Amy atacaram a bandeja, saboreando o gosto de maçã e uma pitada de canela que os biscoitos carregavam, enquanto Jamie encarava seus avós apaixonados com um sorriso ladino estampado na face. A história de Seunome e Harry daria um belo livro. 

  — Acho que podemos começar, certo? Ainda preciso estudar alguns processos e Amy tem um show. — Daniel perguntou engolindo os cookies em sua boca com a ajuda de uma quente e deliciosa xícara de chá. Seus avós concordaram e Amy levou os ágeis dedos ao velho álbum de família, abrindo-o e sorrindo ao deparar-se com uma linda fotografia. 

  Eram de seus avós em uma tarde em um parquinho. Seunome trajava um vestido azul claro que batia na metade de suas coxas, os cabelos estavam soltos e uma pequenina margarida estava atrás de sua orelha. Harry estava vestindo uma camisa branca, que revelava tatuagens por seu tronco, um jeans simples e nem parecia o mesmo com ondas castanhas brilhantes em forma de cabelo. Sentados em uma gangorra amarela, sorriam um paro o outro e pareciam muito felizes e apaixonados.

   — Essa foi nas férias primavera, estávamos namorando há um ano e uns nove meses e essa foto foi tirada uma semana depois que Seunome me contou sobre a gravidez. Ela estava tão distante e eu percebi que havia algo acontecendo. — Harry contou.
  
   — Não percebeu nada. — Seunome riu, empurrando de leve o ombro do marido. 

  — Claro que percebi, ninguém nessa vida lhe conhece tão bem quando eu. — Gabou-se, arrancando risadas dos netos e de sua esposa.


Ano de 2015, Chelmsford (Harry 21 anos e Seunome 19 anos)

  Harry aproximou-se do carrinho de sorvete e cumprimentou o senhor de pele morena com educação, pedindo-lhe dois sorvetes de chocolate. O senhor rapidamente deu-lhe seu pedido e Harry retirou do bolso uma nota de cinco libras, pedindo que o homem ficasse com o troco. Agarrou as casquinhas e andou até onde sua namorada se encontrava. Seunome encarava as folhas esverdeadas e as arrancava da terra, transmitindo um ruído melódico, enquanto uma família se divertia em um piquenique não muito longe de si. A jovem encarou-os com um semblante neutro, transmitindo seus pensamentos através de seu olhar apagado e não brilhante, como sempre fora.

  Estava em uma grande encrenca. Nessa manhã descobria sua gravidez de duas semanas e também que fora aceita em uma das melhores faculdades do mundo. Ainda era jovem, tinha uma carreira de cardiologista que ansiava seguir e muitas pessoas para ajudar, não que a menina não quisesse uma família, mas, só era cedo demais. Logo sentiu o lugar ao seu lado ser ocupado, mas mesmo assim não deixara de encarar a família nem sequer por alguns segundos.

  — Trouxe sorvete, o seu preferido. — Anunciou Harry, erguendo a casquinha para a jovem que apenas negou com a cabeça. — Seunome... 

  — Harry, eu não quero! — Esbravejou cruzando os braços e lutando contra o agradável e teimoso biquinho que seus lábios provavelmente haviam se formado.
  
  — Certo, você quer um algodão-doce ou uma maçã do amor? — A jovem voltou a nega com a cabeça e parecida irredutível. Harry suspirou e começou a saborear seu sorvete em silencio, enquanto fitava o futebol entre pai e filhos do outro lado do parquinho onde estava. 

  Styles sempre adorara crianças, virara palhaço por conta delas e um sentimento inexplicável tomava conta de si ao arrancar sequer um mínimo sorriso das mesmas. Talvez seja pelo fato de nunca ter tido um pai presente ou carinhoso, Desmond nunca se importou em levá-lo para seu primeiro dia na escola ou de lhe dar um beijo de boa noite. Harry por outro lado tinha Anne, sua mãe que tentava sucumbir boa parte do abandono paterno, mas, todos sabem que uma criança precisa de pelo menos 30% do pai. Quem irá lhe ensinar a jogar bola? Ou a se barbear? Ou a dar aqueles conselhos depois de ter o coração partido por uma garota qualquer? Quem irá segurá-lo quando o mesmo se desequilibrar em sua primeira vez em uma bicicleta sem rodinhas? Quem irá ensiná-lo a nunca desistir? 

  Harry olhou para sua namorada e fitou-a por alguns segundos. Styles conseguia ler incrivelmente bem a face de Seunome e naquela ora ele soube que algo acontecia. Cerrou os olhos e puxou a jovem, fazendo-a olhar diretamente em seus olhos. — O que está acontecendo?

Ano de 2069, Stratford-upon-Avon

   — Você era um joker, vovô? — Amy perguntou arregalando os olhos.

  — Não se usa mais a palavra palhaço? — Jamie franziu o cenho. 

  — Joker, joker, joker! — Amy revirou os olhos. — Continue vovô!

  — Não exatamente, como sabem eu tinha uma banda, mas enquanto nós não emplacávamos eu precisava pagar minhas contas. 

  Daniel chamou atenção para outra fotografia do álbum onde Harry estava vestido de palhaço e todos riram com o semblante da criança no colo de Harry, que chorava desesperadamente. Seunome deu um gole em seu chá e afirmou. — O avô de vocês ficava pavoroso nessa fantasia!

  — Ora, mais é claro que não. — Harry defendeu-se. — Então foi por isso que você se jogou para cima de mim nesse dia?

  — Eu desmaiei, Harry. Por favor, foi você quem me assustou. 

Ano de 2014, Holmes Chapel (Harry 20 anos e Seunome 18 anos)

  Seunome suspirou pela última vez enquanto estacionava de seu Porsche branco em frente a casa de sua irmã, Dana, para o primeiro aniversario de seu sobrinho. Saiu de seu carro e ajeitou seu vestido rendado que por conta de sua viajem de quase duas horas até o fim do mundo chamado de Holmes Chapel, havia ficado totalmente amassado. Agarrou sua bolsa e retirou um pequeno espelho e retocou sua maquiagem, acabando por aplicar um pouco de delineador e um batom rosado. Os raios solares do fim de tarde refletia em si e Seunome decidiu que aquilo era o melhor que poderia ficar depois de horas na estrada.

  Aproximou-se da porta esverdeada e tocou a campainha, ouvindo o ruído soar por todo o local. Logo a porta foi aberta por um rapaz alto, que estava com o rosto coberto por pó de arroz branco como a neve, batom avermelhado, roupas coloridas e nariz de palhaço. Droga!

  — Vamos entrando, senhorita!

  A jovem arregalou os olhos e sentiu sua garganta fechar, o oxigênio lhe parecera impossível. Sua visão ficou turva e de repente estava desmaiada nos braços de um qualquer fantasiado. Coulrofobia. Um medo muito frequente entre crianças, mas que também pode acontecer em adultos e adolescentes. O medo de palhaços.

Continua...

Hi! Tudo bem com vcs? Eu tentei fazer apenas de uma parte, mas iria ficar enorme então optei por fazer de duas. Espero que tenham gostado da primeira e comentem para mim saber, okay? Eu e Thami vamos postar Before em breve, é que realmente ta difícil combinar nossos horários. Beijinhos e até a próximas parte meus amorzinhos!
 meu perfil no SS: https://socialspirit.com.br/perfil/fiawlessliz 


Um comentário:

  1. Cadê o próximo??? "Então foi por isso que você se jogou para cima de mim nesse dia?" "Eu desmaiei, Harry" kkkkkkkkk' Adorei haha'. Stratford-upon-Avon agr sempre me lembra Before kkkkkk' Continua, Liz diva ♡♡
    Kisses xx

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